Tenho andado sem tempo para escrever, e a que se deve isso? Ao facto de andar a procurar casa e a tentar perceber se realmente tenho possibilidades de fazer um crédito bancário ou não. E nisto, observo que aqui o frenesim é diferente.
Esta é uma cidade calma mas não deixa de ter a sua agitação! Além do mais, pertence a um país atulhado em burocracia e, por esse motivo, os bancos daqui não podem ser muito diferentes dos de Lisboa, imprimindo logo um novo ritmo a qualquer tramite bancário… é papelada que falta, é papelada que está a mais, e telefonam porque falta assinar… bem, esse tipo de coisa. A pessoa envolvida num processo destes, mesmo em Beja, cidade pacífica, sente já uma certa agitação!
Depois lembraram-se de pôr parquímetros na cidade. Óptimo para aquele ser que se sentia entediado numa manhã em Beja. Agora já pode andar o tempo todo de um lado para o outro a tirar papelinhos das máquinas, porque só tinha moedas de 20 antes do pequeno almoço e agora já são 10.30 e já passou da hora… pode ainda olhar para o carro daquele vizinho estúpido que se está sempre a gabar de ter uma carrinha nova mas que afinal não paga o parquímetro em frente ao trabalho… (actividade privilegiada numa cidade que privilegia a cusquice de uma maneira geral).
E a agitação bancária, é diferente mas não deixa de estragar uma manhã inteira a uma pessoa. Aqui chegamos e não há muita gente e por isso ficamos a pensar que vai ser rápido, mas aqui, cidade pacata e de bons costumes, o atendimento é personalizado e cada momento é tratado com a cordialidade devida e a lentidão que lhe é inerente. Fala-se do tempo, descobre-se que sou filha da professora do irmão e que trabalho com uma amiga da prima, explica-se tudo muito em explicado, porque o trabalhinho tem que seguir para Lisboa com muito aprumo, não vão os da capital pensar que aqui não se trabalha! Tudo é mais agradável, realmente, mas não deixa de ser uma agitação porque o tempo real que se perde é o mesmo, apenas estáa ser usado abusando de calma e tranquilidade.
Mas tudo pode piorar numa manhã destas, caso se tenha que ir tirar uma fotocópia no centro da cidade. Já quase todos sabem que a opção da fotocópia central é uma má opção, todos conhecem a famosa antipatia da srª das cópias, ao lado da Halcon viagens (em Beja nada tem nome próximo e tudo é perto de alguma coisa). É uma senhora que só nos atende quando bem entende e que muitas vezes se deixa estar sentada sem nos atender, repetindo em pensamento ‘agora esperam!’, para demonstrar que naquele território, ela é quem manda e quem controla o tempo. Essa é uma atitude irritante desde que passamos aquele estágio de evolução de demarcar o território!
E aí as coisas atingem proporções de verdadeira cidade grande, podemos irritar-nos gratuitamente com uma patroa/funcionária absolutamente detestável que tem bastante dinheiro para fechar o negócio e viver dos rendimentos, mas não o faz porque deixaria de ter alguém a quem demonstrar poder dentro daquele reino criado.
Beja apresenta assim, o petisco completode uma manhã bem perdida a tratar de assuntos importantes, com direito a atritos de atendimento e irritações com o carro.
13a@beja